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No fundo, é isto.

por impressoemmeiahora, Quinta-feira, 18.10.12

 

"Anyone who believes in indefinite growth on a physically finite planet is either mad, or an economist."

-David Attenborough, 2011 speech to the RSA

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por impressoemmeiahora às 17:55

Portugal e o Sporting

por impressoemmeiahora, Terça-feira, 19.04.11

Há muitos anos que Portugal tem uma tradição de masoquismo, desresponsabilização e orgulho na incompetência. É uma forte doença auto-imune que está imbuída no código genético social português.

Não indo muito longe no tempo desta velha nação, porque levar-nos-ia a pensar quando começou este gosto pela auto-destruição, façamos uma retrospectiva histórica:

Quando Portugal precisava reformar a sua agricultura e recursos florestais, toca a transformar o país em trigais e eucaliptais até esgotar os solos.

Quando os outros países descolonizaram o Ultramar, nós decidimos ir para Angola depressa e em força entregar o sangue dos filhos da nação em troca de coisa nenhuma.

Quando toda a Europa Ocidental se democratizava, decidimos trocar uma ditadura de direita por uma de esquerda.

Quando Portugal precisava valorizar os recursos naturais, opta pelo betão e em força. Dizia-se então que o estatuto de uma cidade se media pela altura do edifício mais portentoso (leia-se mamarracho com gaiolas, ex: Prédio Coutinho) — construído no sítio mais impróprio possível, sempre!

Quando Portugal precisava de renovar a Marinha, compra 45 caças F16 em 2ª mão, para caçar em pleno ar não se sabe bem o quê, melros talvez.

Quando os outros países da Europa decidiram apostar na ferrovia, Portugal e o seu gémeo oriental (Grécia), ao arrepio de toda a Europa, mas profundamente "iluminados", optam pelo asfalto.

Quando o Alqueva já estava obsoleto (porque o Alentejo afinal já não era o celeiro de Portugal), opta-se pela sua conclusão, com as consequências nefastas que teve para os vinhos do Alentejo.

Quando Portugal necessitava de lanchas rápidas para controlar a vasta ZEE, eis que se compram dois submarinos para brincar às escondidas no mar.

Quando Portugal precisa recuperar a sua economia, faz protocolos com a China para destruir todo o seu comércio e resolve construir um novo aeroporto e um sistema ferroviário específico de classe luxuriante.

Quando Lisboa está entulhada de carros, planeia-se uma ponte gigantesca com 3 faixas rodoviárias em cada sentido, mesmo no meio do Tejo com as nefastas consequências para o património paisagístico que se conhecem.

Quando Portugal tem 144 camas no Alcoitão para doentes em reabilitação profunda e os hospitais não dão conta do triste panorama da saúde, constroem-se 10 estádios de futebol com as consequências que se conhecem.

Nesse processo dos estádios, está envolvido Godinho Lopes, conhecido "artista" que, depois de lesar o estado em €25M, embora ilibado por falta de provas (mas não absolvido), cai de pára-quedas no Sporting e é o sinistro responsável pelo desastroso processo do novo estádio José Alvalade, processo do qual se orgulha, note-se.

Quando o Sporting é a maior potência do Atletismo nacional, ao desastroso processo de planeamento do estádio (entregue pelo "artista" a um conhecido lampião de má fama e conhecido péssimo gosto artístico) subtraia-se então todo o equipamento da modalidade mais forte do clube, em detrimento de uma maior proximidade do público ao relvado, dizia-se — mas que acaba gorada com a adição de um fosso. Como pièce-de-résistance, decore-se o Sporting, a sua imagem e a sua casa da forma mais foleira possível.

Quando o Sporting se encontra no fosso a que os primazes da arte burlística o remeteram, que melhor opção senão coroar de glória o "artista" Godinho Lopes?

Portugal não tem espelhos em casa. Portugal escolhe sempre a pior opção e orgulha-se disso, faz gala de ser parvo e... orgulha-se disso, com um sorriso tolo na cara. Portugal olha para a Europa e, ou intelectualmente desonesto ou simplesmente em negação, gaba-se que é parvo mas que tem bom coração. Mas nem para si mesmo é bom.

E o Sporting não escapa a este desígnio nacional.

"Mau perder" dirão alguns? não, é mais a frustração de lidar com pessoas que se orgulham da sua pequenez. Porque perder não se perdeu, a não ser uma oportunidade de ouro. Houve apenas uma jogada de xico-espertismo para perpetuar a tacanhez e o obscurantismo auto-destruidor.

Mas em Portugal e no Sporting os dias da tacanhez estão contados. Chegará o ponto em que o bolor que corrói as estruturas desta nação terá um bafiento cheiro tão insuportável que a mudança será inevitável e inexorável.

 

Viridis

http://www.forumscp.com/index.php?topic=31140.0

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por impressoemmeiahora às 19:55

Geração à rasca

por NSR, Domingo, 13.03.11

http://www.publico.pt/Sociedade/joao-nuno-martins-por-que-e-que-nao-vou-participar-no-protesto-da-geracao-a-rasca_1484259

 

Opinião

João Nuno Martins: Por que é que NÃO VOU participar no protesto da "geração à rasca"?

Nome: João Nuno Martins
Idade: 38 anos
Residência: Lisboa
Profissão: Produtor Artístico

 

Preciso esclarecer, antes de mais, que sinto tristeza por não me poder juntar à manifestação de dia 12. Tristeza porque, apesar de me sentir revoltado por ver o nosso país ser saqueado por uma classe política e financeira sem escrúpulos, que despreza as necessidades mais elementares dos cidadãos, e que se aproveita do nosso esforço, não me revejo minimamente no texto do manifesto que norteia esta manifestação nem nas patetices infantis e demagógicas que tenho ouvido da boca de ALGUNS dinamizadores do protesto. Tristeza também porque sinto um enorme desejo de me manifestar seriamente e exigir mudanças concretas na nossa governação, mas não me parece que seja isso que este movimento quer. A verdade é que nem o movimento, ele próprio, sabe o que quer.

Sinto que é tempo de mudar, de lutar pela mudança, de fazer ouvir a voz de um povo que está farto de fazer sacrifícios para sustentar um sistema que apenas se interessa por si próprio. Mas mudar mesmo, de raiz, a sério. Acabar com um sistema que nos exige esforço e sofrimento, enquanto aqueles em quem depositamos a nossa confiança vivem na abastança, exibindo uma vida sumptuosa sem o menor pudor. É preciso mudar, reformular o sistema democrático (?) que temos, que nos pede o aval uma vez de quatro em quatro anos e nos ignora absolutamente o resto do tempo. É preciso mudar. Rever e ajustar os vencimentos dos detentores de cargos públicos. Acabar com as regalias principescas, com os carros e motoristas, com as ajudas de custo palacianas, assessores e adjuntos e secretárias. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com salários irreais. Acabar com a possibilidade da transição de mandatos de governo para conselhos de administração de grandes grupos económicos. Acabar com o sigilo bancário de detentores de cargos públicos. Acabar com a impunidade. Enfim, acabar com o escândalo que tem sido a governação deste país e mudar as regras do jogo para que nas próximas eleições os novos candidatos saibam que a fonte de riqueza e estabilidade vitalícia que eram a governação e o poder, acabaram de uma vez por todas neste país. Mudar, mudar, mudar.

Quero ver no poder gente que trabalha a sério. Gente competente com princípios e valores sólidos. Gente qualificada, com visão global e consciência colectiva. Gente séria e responsável.

Mas esta mudança que eu desejo nunca acontecerá se não soubermos e estivermos absolutamente convictos do que queremos. E acima de tudo não se fará se não tivermos consciência de que temos que ser nós os primeiros a mudar. Cada um de nós. Na sua casa. No seu condomínio. No seu emprego. Na sua cidade. Na sua Rua. No seu grupo de amigos. No seu íntimo. Na sua mentalidade.

Uma mudança de atitude é necessária antes de tudo. É preciso acabar com o laxismo e a ideia de que alguém tem que resolver os nossos problemas por nós. É necessário que acabemos com as cinco pausas para café a meio da manhã e outras 6 da parte da tarde. É preciso acabar com a convicção absoluta de que o ideal é sermos jovens e termos um emprego estável como os nossos pais. De que o bom é comprarmos um apartamento o mais rápido possível e hipotecarmos a nossa mobilidade nos próximos anos. Acabar com a ideia de que emigrar é uma coisa má – é irónico termos sido nós os pioneiro da emigração à escala planetária e estarmos espalhados por todo o Mundo, e agora… É preciso acabar com a ideia de que ter um curso superior nos concede o direito supremo e inalienável a ter um emprego estável e bem remunerado na área que estudámos, porque sim, porque somos licenciados e mestres e doutores. Que estudar é um sacrifício que tem que ser recompensado pela sociedade por oposição à ideia de que estudar é um privilégio e uma formidável fonte de riqueza pessoal. Precisamos acabar com o “chicoespertismo” português, do jeitinho, da transgressãozinha, da subversão das regras, do “o senhor sabe com quem está a falar?”, da corrupção que atravessa as instituições de alto a baixo, da falta de civismo, da falta de educação. É preciso acabar com a falta de auto-responsabilização. Os jovens de hoje ambicionam desmedidamente a estabilidade imediata. Eu não entendo esta perspectiva. Às vezes parece-me que os jovens de hoje já nasceram velhos. Ou então sou eu que nunca deixarei de ser uma criança… Dos 17 até aos 30 anos fui trabalhador precário, aliás trabalhador estudante precário, e sempre me assustou a ideia da estabilidade, do emprego fixo e do compromisso laboral com um patrão. Necessitava sentir-me livre, viajar, ver o Mundo e aprender, aprender, aprender. A angústia que sentia com a falta de perspectivas imediatas foi sempre atenuada pela forte esperança e fé em mim próprio e nas minhas capacidades de trabalho. Tirei um curso superior na perspectiva de desenvolver ferramentas para a vida, essencialmente ferramentas de aprendizagem. Nunca acreditei sinceramente que conseguiria um bom emprego quando acabasse o curso. E não esperei por isso. Levei o dobro do tempo a tirar o curso porque ao mesmo tempo trabalhava muito e viajava e vivia e enriquecia-me como pessoa. Tive períodos em que ganhava muito dinheiro pelos trabalhos que ia fazendo e outros de grande privação tendo que recorrer muitas vezes à ajuda dos amigos. Foi nesses momentos de privação que mais me esforcei e que me surgiram as melhores ideias e o estímulo para dar a volta à situação. É a vida. É a juventude. Juventude é precariedade, dúvida, instabilidade, incerteza, angústia… mas também é esperança e esforço, ânimo, desejo e ambição e acima de tudo coragem. E foi esta coragem que me levou, aos 30 anos, a abrir uma empresa e arriscar na área em que me sinto mais feliz. Não, não tive apoios nem subsídios nem nada que se pareça. E não, também não há dinheiro na minha família, nem cargos importantes. O meu avô materno era padeiro e o paterno lavrador. Não tive apoios na época e nunca os tive até hoje. Tenho 38 anos, continuo a viver com precariedade e angústia, incerteza, dúvidas e instabilidade, mas também continuo a acreditar no meu país e em mim próprio, no meu valor, nos meus princípios, na minha capacidade e competência, com ânimo e coragem. E não desisto apesar de às vezes parecer que o Mundo inteiro está contra mim. Aprendi que a vida contém todas estas cores e moldei-me, adaptei-me até aprender a ser feliz assim, com estes sentimentos todos à mistura. Até aprender que a vida é aqui e agora. Que é instável e às vezes precária. Aprendi a ter consciência de que quando estamos em baixo a probabilidade maior é a de irmos para cima a seguir, mas isso depende de nós. E que quando estamos lá em cima existe a real possibilidade de irmos lá parar abaixo de novo, e isso às vezes não depende de nós. A minha empresa já empregou dez pessoas, hoje emprega apenas duas. A crise tem afectado tremendamente a minha actividade desde 2008 mas eu não desisto. Os últimos dois anos em particular têm sido um verdadeiro inferno. A crise económica quase destruiu tudo o que consegui criar nos últimos oito anos Continuo aos trinta e oito com a mesma postura que tinha aos vinte. Encaro as dificuldades de frente e não conto com a ajuda do estado nem das instituições para me resolverem os problemas. Mas também não ponho de lado a hipótese de mudar radicalmente a minha vida, de mudar de profissão ou emigrar. O problema deste país não sou eu nem as minhas necessidades. Não é a minha instabilidade e a minha angústia. O problema é outro e eu posso participar na solução. Não me junto à manifestação de dia 12 porque está sustentada em ideias que promovem divisões profundas numa questão que deveria ser unificadora e unânime. Veja-se o número de pessoas que diz no FB que não vai à manifestação e compare-se com o número das que vão. Este é um momento que deveria juntar todos os portugueses sem excepção. Porque acredito que o descontentamento é geral e transversal a todas as classes sociais, profissionais e etárias independentemente do seu nível de formação académica. E não se deveriam erguer bandeiras egocêntricas e ingénuas. Devia ser um momento colectivo de reclamação do povo e não o momento da geração não sei quê… (fazem-me urticária os nomes que já ouvi chamar a este movimento).Não concordo com a afirmação de que os jovens estão particularmente mais prejudicados nesta crise do que os restantes portugueses. Acho que estão em vantagem, por serem mais qualificados e por serem jovens. O desemprego cresceu proporcionalmente em todas as classes. Mas também acho natural que os jovens tenham mais precariedade laboral que os mais velhos. E que os licenciados sintam mais dificuldade em arranjar o ambicionado emprego na área que estudaram e que lhes foi prometido como um el dorado. A ideia do “estuda filho estuda para teres um bom emprego” continua enraizada e este movimento contribui para valorizar e estimular esta atitude perante a educação. Não entendo a questão dos falsos recibos verdes. Para haver esta situação tem que haver quem os passa e quem os recebe. E se quem os recebe, depois de ter aceitado o acordo e ser cúmplice de uma irregularidade, acha que está ser injustiçado tem uma solução. Vai ao tribunal do trabalho pedir o reconhecimento do estatuto de trabalhador dependente. Mas tem que se mexer e isso dá trabalho… Não aceito embarcar no discurso do desgraçado e das dificuldades. Ouvi isto a minha vida inteira. As dificuldades. O mundo assustador. Fui educado e formatado para aceitar ser remediadozinho, com um empregozinho, e uma vidinha. Mas não foi isso que eu quis para mim. O português abriga-se na conversa da dificuldade para evitar enfrentar a vida e as dificuldades com a cabeça levantada. O medo que herdámos de outros tempos?

Há um movimento que exige a regeneração de toda a classe política (isto sim é uma reivindicação concreta, concordemos com ela ou não) que tenta juntar-se ao movimento da geração à rasca e os representantes deste movimento trataram imediatamente de esclarecer que não têm nada a ver com aquelas reivindicações nem com aquela gente. O sistema agradece! É preferível uma manifestação apartidária, laica e sem reivindicações. Até o nosso querido Presidente da República, qual paizinho orgulhoso, apadrinhou ontem a iniciativa e motivou os jovens a fazer ouvir a sua voz. Porque já entendeu que a voz dos jovens portugueses é uma voz oca e inócua.

Ninguém nos virá salvar. Não vale a pena irmos para a rua com folhas A4 cheias de lamúrias. Não vale a pena entregar toneladas de papel na Assembleia da República. Ninguém vai ler. Ninguém vai dar atenção. É simbólico, bonito, mas inconsequente. Esta manifestação sem objectivo concreto, sem reivindicação concreta, apenas com lamentações, não serve para nada. Aliás, corrijo, serve para uma coisa. Serve para aumentar nos manifestantes o sentimento de vitimização e de falta de responsabilidade e, no Portugal profundo, o injusto sentimento de desprezo em relação aos jovens licenciados. E ajuda a consolidar e legitimar nas mentes dos mais jovens muitas ideias feitas que eu me recuso a subscrever.

Vamos para a rua exigir um verdadeiro sistema democrático e de governação, com novas regras para todos os portugueses? Eu vou à frente!

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por NSR às 17:04

Vale Tudo

por NSR, Domingo, 20.02.11

Não, não falo da modalidade de luta muito popular no Brasil, nem do facto de colocarem posts sobre o Sousa Cintra, falo do nosso amigo transmontano Armando Vara.

 

http://www.publico.pt/Sociedade/armando-vara-passou-a-frente-de-utentes-de-centro-de-saude_1481106

 

Armando Vara protagonizou, na passada quinta-feira, um episódio polémico num centro de saúde de Lisboa. O ex-ministro socialista passou à frente dos utentes que aguardavam a sua vez e exigiu a uma médica que lhe passasse um atestado médico, alegando estar com pressa e ter um avião para apanhar, avança a TVI.

 

Perante este cenário, um dos doentes que estava à espera no centro de saúde apresentou uma reclamação. José Francisco Tavares, de 68 anos, reformado e com seis filhos, de acordo com a mesma estação televisiva, dirigiu-se ao centro de saúde com um ataque de sinusite.

Quando chegou, ficou à espera da sua vez, como acontece normalmente nestas situações. Porém, quando Armando Vara chegou ao centro, desrespeitou a ordem de chegada dos doentes e entrou no gabinete da médica.

A médica, surpreendida, - relata a TVI - ainda disse a Armando Vara que o não tinha chamado. “Mas ele respondeu que estava cheio de pressa para apanhar um avião. E a médica que lhe passasse o atestado na hora”, escreve o site da estação de televisão.

A médica acabou por lhe passar o atestado, indica a estação de televisão.

Em declarações à TVI, a directora do centro de saúde, Manuela Peleteiro, explicou o sucedido: “O senhor Armando Vara entrou aí como qualquer utente e passou à frente de toda a gente. Entrou no gabinete da médica sem avisar e sem que a médica percebesse que não estava na sua vez. Foi uma situação de abuso absolutamente inconfundível”.

Armando Vara ainda não se pronunciou acerca deste episódio.

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por NSR às 18:51


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