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A verdade nua e crua

por impressoemmeiahora, Sábado, 15.10.11

Robert Reich, secretário do Trabalho de Clinton, num artigo recentemente publicado no "The New York Times", faz este exercício saudável: olhar para a floresta em vez de se concentrar na árvore. Recordando que há uma coisa em comum entre esta crise e a grande depressão: ambas aconteceram quando a desigualdade na distribuição dos rendimentos atingiu o seu ponto máximo. Em 1928, 1% dos americanos detinha 24% dos rendimentos. Mudaram-se as políticas e em 1976 detinha apenas 9%. Em 2007, chegava aos 23,5%.

Os números são americanos mas servem para a Europa. Entre 1949 e 1979, a produtividade subiu 119% e os salários 79%. Entre 1980 e 2009 a produtividade aumentou 80% e os salários apenas 8%. No primeiro período, os 20% mais pobres aumentaram os seus rendimentos em 122% e os mais ricos em 99%. No segundo período, que começou com a chegada de Reagan e Thatcher ao poder, os mais pobres perderam 4% e os mais ricos ganharam 55%. Para ajudar à festa, as grandes fortunas conseguiram, através da deslocalização de capitais e da pressão sobre o poder político, fugir aos impostos. Foram os trabalhadores, que já tinham sido roubados nos salários, a carregar o fardo fiscal. Desde o princípio do século, os ciclos foram estes: concentração de riqueza, crise, políticas redistributivas, prosperidade, concentração de riqueza, crise de novo.

Com o dinheiro mal distribuído o crescimento depende do crédito. Como assinalou Paul De Grauwe, num artigo publicado no Expresso, os proprietários de casas na zona euro aumentaram, entre 1999 e 2008, a sua dívida de cerca de metade do PIB para 70%. A dívida dos bancos ultrapassou os 250%. Curiosamente, os Estados foram, nesse período, os únicos que se portaram bem. A dívida caiu de 72% para 68% do PIB. Tirando a Grécia, não havia, na Europa, até ao ataque especulativo às dívidas soberanas, um problema de dívida pública. Havia e há um grave problema de dívida privada. E isto inclui Portugal, que manteve até então a sua dívida pública abaixo da média europeia mas um endividamento privado estratosférico. O maior responsável por esta crise não é, nunca foi, o Estado "gordo". É a desigualdade crescente na distribuição de rendimentos compensada pelo empréstimo do banco.

Que remédio nos oferecem contra esta doença? Facilitar o despedimento; reduzir e congelar salários; aumentar as despesas em transportes, energia, saúde e educação; aumentar impostos sobre o trabalho; aumentar o IVA para reduzir a TSU; reduzir o investimento do Estado; cortar nas prestações sociais; e injetar dinheiro público na banca. Ou seja, distribuir pior o que já estava mal repartido. E as principais vítimas deste assalto, a que damos o nome de "austeridade", continuam a comprar a ideia de que o problema são as gorduras do Estado. Os gordos agradecem.

Daniel Oliveira, Expresso de 10 Set. 2011:

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por impressoemmeiahora às 23:45

3 comentários

De Filosofo de vairao a 16.10.2011 às 10:19

Podias ter posto o autor deste texto no inicio. Assim não tinha perdido tempo a ler.

De Platao a 16.10.2011 às 10:35

Não há um problema de divida publica? Lol... Deixa-me rir um bocadinho mais...lololol
Esta manipulação desonesta de argumentos é tipica. A esquerda falhou. A esquerda não deu resposta. Tentou e falhou porcamente. Até o mais idiota se apercebe que este estado social não serve. Demos essa oportunidade por toda a europa e não foram capazes de o demonstrar.
Pois bem, a questão agora coloca-se se a direita consegue dar a volta.
A agenda eleitoral do PSD agradou-me. Pensava eu que os receios de ultra liberalismo que a imprensa acusava e que Passos Coelho negava fossem na realidade verdade e fossemos de facto virar à direita como deve ser!
Mas taxar a 50% a população, aumentar o IVA e deixar as Holdings todas na vie de chateau sem serem taxados os seus lucros cheira-me a mais do mesmo com nova roupa.
Talvez estejamos a pedir demais. Talvez a evoulução destas coisas seja mais lenta. No final de contas a cocola passou finalmente a ter taxa de IVA a 23%. Bravo Passos Coelho!

De Chega de socos de Esquerda a 18.10.2011 às 11:49

Não me centrando propriamente neste post ou comentário mas mais sobre vários comentários espalhados um pouco por todo o lado, aproveito para dizer que acho engraçado dizer que Portugal virou a direita nas últimas eleições, que o PSD/ CDS são de direita, que quem governa a França é da direita, a Grécia teve um partido de direita antes deste, etc, etc.

Não há partidos de direita elegíveis em Portugal, França, Espanha, etc. Há pequenas intenções de medidas mais liberais mas que são logo abafadas pela cultura socialista que está entranhada na população, comunicação social, sindicatos e administração. E claro, a constituição é clara- não há porque não pode haver porque o caminho é o socialismo desde 74.

Enquanto isso estiver presente na cultura das populações, assim será até a ordem se desfizer e posteriormente as pessoas, à custa das circunstâncias, mudarem a mentalidade. Até lá, é só para a Esquerda (que somos todos nós, uns mais que outros,) se entreter a criticar, a comunicação criar escandaleira, as pessoas terem contra o que se manifestar. O mercado da vida e da história tratará de equilibrar as coisas. Porque, se olhando à escala de dezenas de anos podemos dizer que estamos melhor ou pior, à escala de centenas de anos estamos sempre melhores.

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