Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 


Porque convém saber ao que vamos

por impressoemmeiahora, Terça-feira, 19.04.11

Dona Branca

Maria Branca dos Santos (n. Lisboa1902 - m. Lisboa3 de Abril de 1992) mais conhecida por Dona Branca, foi a famosa "Banqueira do Povo" que causou um enorme escândalo financeiro nos anos 1980 em Portugal.[1][2][3]

Devido aos acontecimentos políticos da sua época, prevendo-se o declínio da monarquia (e mais tarde o declínio do frágil e novo regime republicano), acrescida futuramente com a participação na 1º Grande Guerra Mundial, o nível de pobreza aumentava desmesuradamente.

Infância

Maria dos Santos era descendente de família humilde e bastante pobre. Recebe formação escolar muito básica e, ainda que praticamente analfabeta, possuía grande capacidade de raciocínio matemático e forte aptidão para a estratégia bancária/comercial.

Atividade

Desde cedo, começou a sua prática "bancária": guardava o dinheiro da venda de varinas ao longo do dia recebendo ao anoitecer uma pequena compensação pelo "depósito". Destacou-se pela sua honestidade e carisma, e passou a ser solicitada também pelos vendedores ambulantes.

No decorrer dos anos 1950, com a política Salazarista, em que reinava a pobreza nacional, torna-se numa pseudo-bancária quando iniciou a sua atividade clandestina. Estrategicamente, começou a atribuir juros a quem lhe confiasse as suas economias, tanto maiores quanto mais elevadas fossem. Utilizava bastante bem o esquema em pirâmide.

Assumiu posição diferente à da Banca e da técnica bancária: recebia depósitos acrescidos de 10% de juros a quem aplicasse as suas poupanças e concedia empréstimos a juros elevados. Esta medida foi crucial para a sua expansão da sua atividade e renda.

No ápice, fosse rico ou pobre, pescador a empresário, todos recorriam à "Banqueira do Povo" como passou a ser conhecida.

Método

A metodologia resultava com o aparecimento diário de novas pessoas e operava do seguinte modo:

  • ontem pessoa 'X' depositou 20 contos.
  • hoje pessoa 'Y' deposita 20 contos (2 contos iriam para pessoa 'X' - ficava logo com os juros mensais)

Funcionava assim sucessivamente, uma vez que o cliente de ontem recebia os juros provenientes do investimento do(s) cliente(s) do dia seguinte.

Uma vez que tanto o cliente 'X' como o cliente 'Y' não procediam ao levantamento da totalidade do depósito, facilmente se gerava um fundo sustentável, que seria aumentado significativamente dado que, ao invés do levantamento, os clientes voltariam a depositar.

O empréstimo que concedia era rigorosamente estudado e concedido a juros elevados atingindo valores até metade do empréstimo.

Ao longo de décadas, o esquema funcionara, pois semanalmente apareciam dezenas de cliente novos vindos de todo o país.

Isto obrigou-a à criação de novos escritórios espalhados tanto por Lisboa quanto por todo o país, visto que começavam a ser notórias as extensas filas à porta do seu escritório deAlvalade.

Para isso contou com a colaboração de familiares e amigos íntimos que eram aliciados e estimulados pela entrada de quantias exorbitantes de dinheiro vivo.

No entanto as pessoas que contratara estavam ligadas a negócios ilícitos e, por isso, estes angariadores tinham a esperteza e conhecimentos técnicos, conseguindo assim obter valores de milhares de contos.

Esta sua atividade não passou despercebida pelas autoridades judiciais e bancárias, mas estas tornaram-se facilmente subornáveis.

Declínio da atividade

Em Março de 1983, o semanário "Tal & Qual" divulga a sua atividade e os seus métodos, sendo também notícia na imprensa internacional.

Por consequência, D. Branca conseguiu, em muito pouco tempo, quadruplicar o seu poderio econômico. Centenas de pessoas dirigiam-se para seus escritórios para obter o juro de 10 % mensal que fazia concorrência ao juro oficial da banca que era de 30 % ao ano.

O crescente levantamento das contas à Banca oficial e o depósito na atividade da "Banqueira do Povo" alarmaram o Banco de Portugal e o Governo, prevendo-se a muito curto prazo a bancarrota da banca. O Ministro das Finanças, Ernâni Lopes, estrategicamente, foi à televisão advertir e acautelar os portugueses.

Resultado disso foi o deslocamento de centenas de pessoas querendo reaver o seu dinheiro depositado, o que imediatamente gerou uma confusão incontrolável e um pânico estrondoso.

Os seus escritórios estavam amontoados de sacos com dinheiro e o não controlo da situação levou a que, gananciosamente, alguns colaboradores sacassem o dinheiro que conseguissem ou passassem os bens imobiliários para o seu próprio nome.

Alguns dos colaboradores da "Banqueira" estavam envolvidos no mundo do crime, tanto que com um deles, Manuel Manso (suspeito de um assalto de uma ourivesaria, tendo furtado cerca de 3 quilos de ouro), numa apreensão à sua residência, fora encontrado um cofre contendo 60 mil contos em dinheiro vivo e dezenas de cheques no valor de 90 mil contos.

Processo em Tribunal

Dona Branca, de modo a devolver a quantia que havia sido depositada pelos seus clientes, passou milhares de cheques sendo centenas deles devolvidos por falta de provisão, fundo.

Envolvida com colaboradores corruptos e criminosos, um deles o seu advogado, que "legalizava" as suas ações financeiras, foi finalmente detida a 8 de Outubro de 1984 e colocada preventivamente na Cadeia das Mónicas, em Lisboa.

Foi acusada pelo Ministério Público, juntamente com 68 arguidos, por associação criminosa, múltipla prática da emissão de cheques sem cobertura, burla agravada, falsificação e abuso de confiança, tendo sido iniciado o julgamento em 1988 no Tribunal da Boa-Hora, que teve a duração de 1 ano.

Resulto do julgamento: pena de prisão de 10 anos para a D. Branca por crime de burla agravada e 24 dos arguidos foram absolvidos.

Morte

Pouco tempo depois, e devido ao estado débil de saúde e à idade avançada, viu ser-lhe reduzida a pena e saiu em liberdade, vivendo até a data da morte num lar, cega e, ironicamente, na miséria. Foi enterrada ao Alto de São João acompanhada de apenas 5 pessoas.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dona_Branca

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por impressoemmeiahora às 21:17

7 comentários

De A verdade. a 20.04.2011 às 00:21

Péssimo artigo. Devia começas assim: D.Branca mais conhecida como Abel Alves é um anónimo burlista do norte do País que controla as actividades financeiras das suas empresas a partir de um paraíso fiscal no meio do Atlântico.

De F.M.M.M. a 20.04.2011 às 12:13

Sugiro que quem critique a minha D.Branca se identifique e seja consequente com as suas opiniões. Traduzindo, quem quer ficar rico do tipo árabe fica caladinho e deixa a D. Branca trabalhar. Não quero que ela perca tempo a responder a velhos do Restelo invejosos da sua brutal capacidade de raciocínio e abstração.
Só tenho conselhos para a minha D. Branca:
Acorda cedo que a cabeça funciona melhor de madrugada. O doentes que fiquem com o pior de ti.
Não te esqueças de calçar sapatos da mesma cor quando sais de casa. Pantufas não contam.
Lava a cara de manhã e os dentes à noite. Nesta ordem.
Alimenta-te. De informação. Os números não sabem a grande coisa mas tu também já cresceste tudo. Não queiras ficar gordo.
Finalmente, um comprimido de Centrum todas as manhãs com um bagaço produz um efeito placebo maravilhoso e arrebita o espírito.

De Ex-amigo do FMMM a 20.04.2011 às 15:32

Abel e eu recomendo-te que faças o contrário do que o FMMM te disse. Aliás qualquer coisa que comece por FM qualquer coisa como por exemplo FMI causa-me desconforto gástrico.

De D. Branca a 20.04.2011 às 16:56

O conceito de risco é algo que é averso à maioria das cabeças.

Não arriscar é morrer.

De D. Branca a 23.04.2011 às 03:33

Caro amigo Francisco, companheiro nesta diversão que é a luta contra os infiés.

Somos uns incompreendidos. Mas estamos à frente no tempo. E o tempo vai dar-nos razão, pode é demorar algum tempo. Eu tenho, como nunca, confiança.

Alguns números para os descrentes.

Considerando os jogos dos últims 3 anos que constituem o nosso universo de interesse (1700 jogos), segundo o sistema de previsão do Fundo D. Branca, tenho a comunicar que:

- Em cada conjunto de 10 jogos em que o fundo aposta, a probabilidade de se perder dinheiro é de 12%.
- Em cada conjunto de 10 jogos em que o fundo aposta, a probabilidade de se perder dinheiro a sério é de 6% (perder mais de 25% do investido naquela semana).
- A probabilidade de perder dinheiro em 2 semanas consecutivas é inferior a 1.5%, e em 3 semanas consecutivas inferior a 0.2%.
- A probabilidade de ganhar mais de 10% do investido é, semanalmente, ligeiramente superior a 90%.
- A probabilidade de ter lucro superior a 10%, líquido, ao fim de uma época desportiva, é superior a 99%.

Agora pergunto: Qual é o fundo desses senhores do capital que dá mais de 10% ao ano com 99% de confiança?

Não existam dúvidas, o fundo D. Branca, que vigora neste Impresso, é a arma económica mais capaz que habita no país neste momento. E eu vou prová-lo semana após semana até poder pagar com o dinheiro do fundo as férias dos 6 elementos do Impresso, mais as respectivas.

Sem mais, disse.

De Pedincha a 23.04.2011 às 17:08

E vamos todos a Madeira né?

Ó D. Branca, eu sei que não podes ir, mas podias adiantar algum para estourar num tasco em Lisboa agora em Maio. Que dizes deste comunismo? Tu ficas no Offshore a trabalhar e nós vamos a Lisboa beber umas "mines"!

De D. Branca a 23.04.2011 às 20:18

Concordo. Vou já falar com o Tino para ele disponibilizar os 40% que ele "reteve" na fonte dos 100 euros do fundo D. Branca 2.

Comentar post



Comentários recentes

  • Anónimo

    Hum hum...

  • Anónimo

    Quem não concorda com a existência do BE, deve con...

  • Anónimo

    O BdC não aproveitou o Leonardo Jardim, o Marco Si...

  • Anónimo

    Esse lugar nobre é do Benfica. Ou aceitas que seja...

  • O comuna

    O futebol é uma máfia. BdC ainda acaba na valeta.

  • Pó de Sirphoder

    Quem defende o Vieira é mau.Quem defende o Bruno d...

  • A hipocrisia

    Muito se fala do BdC, mas quando olho para os outr...

  • Abel

    Muito se poderia dizer. Mas tenho uma pergunta: co...

  • Turista

    Para quem coloca o turismo como uma fonte menor:ht...

  • Nostalgia

    Xiii... o que foram lembrar...





Links

Blogs quase medíocres mas expectaculares