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Chapter One

por impressoemmeiahora, Sábado, 20.10.12

Herman Melville fez algum sucesso quando publicou as suas aventuras marítimas na Polinésia. Motins a bordo e tribos canibais constituiam o elemento fantástico daquele tempo antes da ficção cientifica. Depois decidiu escrever sobre baleias e perdeu quase tudo. A fama, o dinheiro, a alegria, excepto o talento. O livro tem capítulos copiados de tratados de anatomia. É na sua maioria aborrecido. Parece-me que se propos fazer algo para o qual não basta apenas o entusiasmo. Faltou a disciplina e o assunto. Se me perguntarem a mim as baleias não são grande filão e o mar, a não ser quando rabuja, é enfadonho. Salvam-se o início, que aqui reproduzo, e capítulo da perseguição à baleia.

 

Inicio neste blog a minha homenagem a escritores que por sorte ou jeito te seduzem ao primeiro parágrafo.

 

Leiam ao mesmo tempo que ouvem.


Chapter 1 - Loomings

 

Call me Ishmael. Some years ago- never mind how long precisely- having little or no money in my purse, and nothing particular to interest me on shore, I thought I would sail about a little and see the watery part of the world. It is a way I have of driving off the spleen and regulating the circulation. Whenever I find myself growing grim about the mouth; whenever it is a damp, drizzly November in my soul; whenever I find myself involuntarily pausing before coffin warehouses, and bringing up the rear of every funeral I meet; and especially whenever my hypos get such an upper hand of me, that it requires a strong moral principle to prevent me from deliberately stepping into the street, and methodically knocking people's hats off- then, I account it high time to get to sea as soon as I can. This is my substitute for pistol and ball. With a philosophical flourish Cato throws himself upon his sword; I quietly take to the ship. There is nothing surprising in this. If they but knew it, almost all men in their degree, some time or other, cherish very nearly the same feelings towards the ocean with me

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por impressoemmeiahora às 21:01

5 comentários

De Primeiro imediato a 21.10.2012 às 20:05

"Trate-me por Ishmael. Há alguns anos não importa quantos ao certo, tendo pouco ou nenhum dinheiro no bolso, e nada em especial que me interessasse em terra firme, pensei em navegar um pouco e visitar o mundo das águas. É o meu jeito de afastar a melancolia e regular a circulação. Sempre que começo a ficar rabugento; sempre que há um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que, sem querer, me vejo parado diante de agências funerárias, ou acompanhando todos os funerais que encontro; e, em especial, quando minha tristeza é tão profunda que se faz necessário um princípio moral muito forte que me impeça de sair à rua e metodicamente esmurrar todas as pessoas então percebo que é hora de ir o mais rápido possível para o mar. Esse é o meu substituto para a arma e para as balas. Com garbo filosófico, Catão corre à sua espada; eu embarco discreto num navio. Não há nada de surpreendente nisso. Sem saber, quase todos os homens nutrem, cada um a seu modo, uma vez ou outra, praticamente o mesmo sentimento que tenho pelo oceano."

De Barros a 23.10.2012 às 14:02

Chico, conta-me uma história da tribo de canibais que envolva índias desnudadas.
Permitam-me uma correcção: húmido com H. Ainda não estou habituado às paneleirices da nova ortografia.

De Anónimo a 23.10.2012 às 15:18

Menos Baleias e mais Sereias!!

De Abel a 23.10.2012 às 23:17

Xico, a primeira coisa que me veio à cabeça quando li o teu texto foi literalmente isto: Vai-te foder Xico. O Tino é testemunha.

Mas depois ficou-me a ruminar na alma a importância da tua iniciativa.

São textos como este que separam os palhaços tagareleiros, ao quais corro sérios riscos de pertencer, dos inteligentes com senso de humor. A distância entre as duas realidades é bem fina sendo que dificilmente um palhaço tagareleiro é promovido a inteligente com senso de humor, mas facilmente o segundo se converte no primeiro.

Como tal, este texto será um teste à robustez intelectual e crítica do Impresso.

O mar é o refúgio do homem. OK. Tal como os Apalaches/Pelados/Pavilhões do mundo são o refúgio do Barros, uma ilha no meio do nada o meu, o milhõesdeforunsparaentreteromeutempo.com o refúgio do Tino e o pensamento orientado para um mundo melhor o do Figueiras. Essa introdução é um bocadinho de cada um, e abre o apetite à leitura do livro. Mas, pelos vistos, o resto não presta. Ou seja, afinal é um tagareleiro. Como tal, fico sem perceber o porquê de vir para aqui. Sendo assim:

1- Este texto pretende ser propositadamente ofensivo para a minha pessoa pois sou aquele que emigrou para o meio do mar.
2- O Xico estava carente e quis mostrar-nos que conhece 100% da obra de um autor fraco, mas presenteia-nos com o seu único parágrafo decente.
3- O Xico quis cortar com a linha editorial Económica do Impresso e fez este belo Serviço.
4- O Xico decidiu colocar este texto como há uns anos decidiu abrir um jogo de sueca com uma bisca sem ter o ás.

Estou inclinado para a hipótese 4.

De qualquer forma, todos nós temos um momento Herman Melville na vida. Obrigado Xico por nos lembrares disso.

De xiclete a 24.10.2012 às 10:20

Agora não se pode trazer boa literatura p'aqui?

Não existe nenhuma metáfora no que ele escreve. Não precisa de haver sempre.

O curioso deste primeiro parágrafo e outros de livros célebres tem a ver com o facto de encerrarem em poucas palavras ideias maiores que a própria vida. Neste, em particular, reconheces imediatamente no tom a melancolia face ao futuro, o desprendimento face ao presente, a experiência de quem se conhece, a hipocrisia da sociedade, a sabedoria intemporal dos clássicos e no fim chama por ti e conhecendo-te diz: sou igual a ti.

Ora tenta fazer igual. Só tens um parágrafo.

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